Transição Cultural e Essência da Marca

Cultura é o modo coletivo de ser e de atuar das Organizações.
  
Cultura é resultado da história acumulada da empresa e até do comportamento dos seus fundadores. Ela resiste ao longo do tempo, mesmo quando parece já ultrapassada.
É só olhar o mundo hoje, tão globalizado e de comunicação rápida e intensa, entre todos os povos. No entanto, nessa rede complexa e interativa, as culturas dos países sobrevivem, muitas até se enrijecendo para não se perder no caldo comum.   

A defesa da própria identidade é uma característica das Organizações e das pessoas. A adolescência nada mais é do que um esforço de libertação a favor da própria identidade, o que garantirá, a cada um, espaço de possibilidades e de diferenciação ao longo da vida.
No entanto, a aceleração das mudanças sociais e das relações comerciais exige que Organizações se renovem e se superem, com necessidade inclusive de rever, muitas vezes drasticamente, seu modo de conduzir os negócios e se relacionar. O caminho a ser percorrido nessa revisão, bem como o ritmo da mudança, depende de cada Organização, sua história e seus desafios. 

QuotaMais Consultoria trabalha com transição cultural e tem apoiado empresas na discussão da sua cultura atual e cultura desejada, bem como na definição do ritmo a ser imprimido nessa evolução. Tais processos são mais prementes em situação de fusão de empresas, aquisição, internacionalização etc. Nesses casos, não se trata de ponderar a necessidade ou não de mudança, mas de contabilizar o que perder e o que ganhar na revisão dos traços culturais presentes. A mudança será imprescindível. 

Sempre é preciso lembrar que transição é processo. Exige definição clara de um rumo a ser perseguido, forte alinhamento de todos os envolvidos com relação ao que se espera e ao que se deixará pelo caminho, investimentos sustentados ao longo do processo, comemoração das conquistas parciais, consistência de propósitos durante toda a trajetória. 

Mas o que é afinal Transição de Cultura? É uma dinâmica organizacional coletiva, onde os integrantes do grupo revêem valores vigentes na atuação profissional e se orientam para um novo jeito de atuar, conquistando padrões de comportamento antes não praticados. Quando osgaps a serem trabalhados são grandes, provavelmente será preciso até substituir pessoas durante o processo, porque nem todas conseguirão superar os desafios ou mesmo estarão interessadas nas mudanças da empresa e nas mudanças que esperam delas.

Mas a delicadeza da transição cultural é não perder energia e nem identidade, no processo de transformação. A essência da Marca corporativa precisa ser preservada.

Na experiência da consultoria, as Organizações tem feito investimentos expressivos para:

  • - Se voltar mais para mercado e cliente;
  • - Reduzir distância entre níveis decisórios e ganhar agilidade;
  • - Ampliar espaços para protagonismo e aprendizagem e assim se manterem atualizadas;
    - Equilibrar cobrança de resultado e preocupação com clima interno, para assegurar comprometimento ante os desafios;
    - Considerar as consequências das decisões no curto prazo e também no longo prazo; etc.

Isso tudo se caracteriza como um modo de atuar, uma maneira atualizada de se comportar coletivamente. No entanto, questões ligadas ao modo de ser - Valores essenciais da empresa - normalmente não estão em discussão. É como se a família aceitasse - ou até estimulasse - o jovem a se afirmar, a se diferenciar, a ousar etc., mas não o permitisse negar sua essência, as raízes que o caracterizam e o diferenciam.

Portanto, trabalhar transição cultural exige:
- Sabedoria para separar o que é essência e o que é modernização;
- Paciência para persistir quando o comportamento coletivo parece regredir (faz parte);
- Coragem para tomar decisões difíceis para demonstrar consistência entre discurso e prática, durante todo o processo.

Trabalhar transição cultural é difícil até porque a forma de atuar de uma Organização é essencialmente sustentada pelo comportamento das suas Lideranças e é dessas mesmas Lideranças que se espera a condução da mudança e a revisão dos próprios comportamentos. Transição cultural só se viabiliza se for instituída na empresa uma consciência clara de que todo o processo vale a pena. É preciso que Líderes Visionários consigam passar essa Visão de conseqüência positiva, para cada um dos envolvidos.

É desses Visionários - com pé no chão - que as Organizações necessitam e estão carentes. É nesses Líderes de Mudança que o mundo moderno precisa investir.

Elizabeth Zorzi
Sócia-Diretora da QuotaMais